Vivemos numa economia hiperconectada, na qual os negócios dependem cada vez mais de fornecedores e prestadores de serviço. Essa necessidade de conexão se estende também à tecnologia como plataformas, provedores de nuvem e canais logísticos, por exemplo.
Esse universo de relações é essencial para escalar operações e entregar valor ao cliente, mas é também um terreno fértil para riscos que podem comprometer compliance, continuidade operacional, reputação e resultados financeiros do negócio.
Relatórios da PwC mostram que 60% das empresas não realizaram uma avaliação formal dos riscos de terceiros, um indicativo de que muitas organizações ainda dependem de questionários superficiais em vez de análises aprofundadas.
É aqui que entra o Third-Party Risk Management (TPRM), uma prática que, corretamente aplicada, permite que organizações identifiquem e mitiguem riscos associados a terceiros ao longo de todo o contrato.
Mesmo assim, muitas empresas ainda se apoiam em controles básicos ou respostas reativas em vez de estruturar programas robustos e estratégicos de TPRM.
Por que o TPRM é central para compliance hoje?
O TPRM é um conjunto estruturado de práticas para gerenciar riscos que surgem quando uma organização faz negócios com terceiros, sejam eles fornecedores, prestadores de serviços, plataformas ou parceiros.
Esses riscos incluem:
- Riscos operacionais (interrupção de serviços críticos);
- Riscos de segurança cibernética (vulnerabilidades introduzidas por terceiros);
- Riscos legais e de conformidade (violação de normas setoriais ou regulatórias);
- Riscos reputacionais (associação a condutas antiéticas ou escândalos de fornecedores).
No contexto atual, TPRM faz parte do ecossistema de Compliance, Governança e Gestão de Riscos (GRC); ele integra práticas como due diligence, monitoramento contínuo, classificação de risco e tecnologia de apoio para background check, avaliação de performance e detecção de falhas antes que elas causem dano.
Apesar de essencial, a maioria das empresas ainda não gerencia de maneira consistente os riscos de terceiros, seja por falta de maturidade, recursos ou visibilidade sobre o volume e a criticidade das relações contratuais.
Leia também: Por que o TPRM é uma alavanca estratégica para o crescimento exponencial das empresas
Os gaps de maturidade em TPRM e riscos reais
Pesquisas recentes mostram que um grande percentual de empresas ainda não possui um programa completo e estruturado de TPRM: A Gartner identificou que apenas 16% das organizações gerenciam efetivamente os riscos de terceiros de maneira abrangente, evidenciando que a maioria ainda opera com controles insuficientes.
Esse déficit de maturidade cria “pontos cegos” que podem causar grandes problemas no futuro.
Impactos concretos: quando a ausência de TPRM vira problema real
Negligenciar um programa robusto de TPRM não é apenas um gap de governança: os dados mostram impactos que vão desde interrupções operacionais até danos financeiros e reputacionais significativos.
Esse comportamento não apenas expõe a empresa a impactos isolados, mas corrói a resiliência organizacional.
Quando um terceiro provoca interrupções, vazamentos, não conformidade ou danos reputacionais, os efeitos reverberam por toda a cadeia de valor.
E, como as pesquisas indicam, isso já é uma realidade vivida por uma fatia significativa das organizações globalmente.
1. Interrupções operacionais e perda de continuidade de negócios
Estudos da Gartner revelam que 45% das organizações sofreram interrupções nos negócios relacionadas a terceiros nos últimos dois anos, o que impactou negativamente operações críticas, disponibilidade de serviços ou sistemas essenciais.
Esses eventos têm efeito cascata: uma falha numa plataforma, por exemplo, pode paralisar sistemas internos, atrasar entregas, inviabilizar atendimentos e gerar multas contratuais com clientes finais.
2. Vulnerabilidades de segurança cibernética e perda de dados
A EY indicou que 40% das empresas entrevistadas sofreram vazamento de dados causado por terceiros.
Incidentes como vazamentos de dados, invasões via cadeia de fornecedores ou comprometimento de credenciais podem entrar por brechas que deveriam ter sido identificadas com TPRM eficaz, isso tudo pode resultar em:
- Custos de remediação e forense digital;
- Multas por não conformidade com leis de proteção de dados;
- Indenizações e litígios.
3. Exposição a penalidades regulatórias e de conformidade
Reguladores em diversas jurisdições (inclusive nos mercados financeiro, de saúde e de tecnologia da informação) estão aumentando a exigência por programas de TPRM estruturados, especialmente em temas de cibersegurança, continuidade de negócios e riscos ESG.
Quando uma organização não consegue demonstrar controles competentes sobre seus terceiros na auditoria regulatória, o resultado pode ser multas, sanções e restrições operacionais, além de custos extras para remediar não conformidades sob pressão.
4. Riscos reputacionais e perda de confiança
Mais do que métricas operacionais, os impactos reputacionais podem ser difíceis de quantificar, mas são profundos: uma falha de compliance cometida por um terceiro pode marcar negativamente o negócio, afastar investidores, reduzir credibilidade no mercado e diminuir o valor percebido pelos clientes.
Leia também: Riscos reputacionais: como a escolha de fornecedores pode afetar ESG e imagem corporativa
Por que as abordagens tradicionais de TPRM falham, e como evitar essas armadilhas
A ineficácia de muitos programas de TPRM está menos ligada à ausência de controles e mais ao uso de modelos ultrapassados, baseados em avaliações pontuais e reativas.
A Gartner destaca que muitas organizações realizam due diligence e avaliações tradicionais em momentos fixos (onboarding, auditorias regulares) em vez de monitoramento contínuo, indicando que processos estáticos ainda predominam e são insuficientes frente à necessidade de supervisão constante de riscos de terceiros.
A dependência excessiva de questionários padronizados e autodeclarações cria uma falsa sensação de conformidade. Esses instrumentos validam políticas no papel, mas não capturam mudanças reais no perfil de risco, como deterioração financeira, envolvimento em litígios, falhas de compliance trabalhista ou exposição a riscos ESG.
Na prática, o risco só é percebido quando já se materializou.
Essa lógica é amplamente discutida em publicações especializadas como a CSO Online, que define esse comportamento como checkbox mentality: cumprir etapas formais sem gerar visibilidade real sobre riscos emergentes.
Evitar essas armadilhas exige uma mudança clara de abordagem.
Organizações mais maduras substituem controles estáticos por classificação dinâmica de risco, combinam questionários com dados externos confiáveis, integram o TPRM à gestão corporativa de riscos (GRC) e adotam tecnologia, automação e IA para monitoramento contínuo.
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Um caminho para um TPRM prático e moderno (e que vai além da teoria)
É viável construir um programa eficaz de TPRM com governança adequada, processos bem definidos e adoção de tecnologia estratégica; basta seguir alguns passos:
1. Inventário de terceiros e classificação de risco
O primeiro passo é criar um inventário de terceiros com categorização por critério de impacto, considerando volumes financeiros, acesso a dados sensíveis, criticidade operacional e alinhamento a requisitos regulatórios.
Esse inventário, quando corretamente enriquecido com dados confiáveis, permite priorização de esforços de due diligence.
2. Due diligence baseada em dados (não apenas questionários)
Investir em due diligence automatizada e inteligente, incluindo histórico de conformidade, verificações de antecedentes (background check), indicadores financeiros e análises comportamentais, substitui processos lentos e superficiais.
Integração com ferramentas que proporcionam enriquecimento de dados cadastrais e monitoramento contínuo reduz significativamente o trabalho manual e aumenta a precisão da avaliação de risco da base de fornecedores.
3. Monitoramento contínuo com tecnologia e IA
Uma das tendências mais importantes destacadas pela Gartner é o uso de tecnologia avançada e inteligência artificial na gestão de riscos de terceiros, especialmente para suportar avaliações contínuas e integrar sinais de alerta que não seriam detectáveis por análises periódicas.
A automação permite:
- Monitorar mudanças na situação de um fornecedor em tempo real;
- Receber alertas quando há penalizações legais, problemas financeiros ou indícios de incidentes;
- Reduzir o trabalho manual de equipes de compliance.
4. Integração com GRC (Governança, Riscos e Compliance)
O TPRM deve ser parte integrante do modelo de governança corporativa, não um silo isolado. Isso garante que estratégias de risco, conformidade legal, compliance tributário e auditorias internas conversem entre si, o que fornece um panorama unificado de exposição a riscos.
Como a Netrin fortalece o TPRM e transforma gestão de riscos de terceiros em vantagem competitiva
A Netrin atua como parceira estratégica de gestores de compliance que precisam ir além da implantação formal de um programa de TPRM e buscam maturidade real na gestão de riscos de terceiros.
Nossas soluções integram saneamento e enriquecimento de dados, background check e validação de identidade, automação de due diligence e monitoramento contínuo de riscos, oferecendo uma visão completa e atualizada dos terceiros, integrada ao ecossistema de GRC.
Na prática, isso se traduz em visibilidade em tempo real sobre riscos operacionais, regulatórios e reputacionais, decisões baseadas em dados confiáveis e atualizados e processos altamente automatizados que reduzem o esforço manual das equipes e aumentam a consistência das análises.
Ao incorporar tecnologia avançada, incluindo inteligência artificial para análise preditiva e detecção antecipada de riscos, a Netrin ajuda as organizações a deixarem para trás modelos reativos e fragmentados.
Mais do que atender exigências regulatórias, a Netrin possibilita que o TPRM evolua para um ativo estratégico do negócio. Entre em contato com um de nossos especialistas e agende uma demonstração.


