Garantir conformidade com a legislação brasileira e com normas internacionais deixou de ser uma responsabilidade restrita aos controles internos das organizações.
Em um ambiente corporativo cada vez mais interconectado, no qual empresas dependem intensamente de fornecedores, parceiros comerciais e prestadores de serviço, os riscos não se limitam às próprias operações. Questões legais, regulatórias, financeiras, operacionais e reputacionais podem surgir a partir de terceiros e impactar diretamente a sustentabilidade do negócio.
Nesse contexto, a due diligence se consolida como um instrumento essencial de governança e gestão de riscos.
O conceito, que pode ser traduzido como “diligência prévia”, refere-se a processos estruturados de pesquisa, análise e verificação de informações sobre parceiros, fornecedores e clientes, com o objetivo de avaliar seu grau de conformidade com obrigações legais, regulatórias e éticas, incluindo aspectos ambientais, sociais, trabalhistas, fiscais e de integridade.
Apesar de sua relevância, a adoção da due diligence de terceiros ainda representa um desafio para muitas organizações no Brasil. Dados da pesquisa Maturidade do Compliance Brasileiro, realizada pela KPMG, indicam que mais da metade das empresas ainda não possui um processo estruturado para esse tipo de avaliação. Entre os principais obstáculos estão a identificação, avaliação e monitoramento contínuo de riscos de compliance e a integração dessas análises com as áreas de negócio.
A ausência de um processo consistente de due diligence e de gestão de riscos de terceiros tem sido apontada como origem de diversos incidentes envolvendo não conformidades, corrupção e sanções.
Por outro lado, empresas com práticas maduras nesse campo conseguem ampliar a visibilidade sobre sua cadeia de relacionamentos, antecipar riscos e fortalecer sua governança corporativa.
Compreender o que é due diligence, seus objetivos e como aplicá-la de forma eficaz é, portanto, um passo fundamental para organizações que buscam operar de forma responsável, segura e alinhada às exigências legais e às melhores práticas de mercado.
O que é due diligence?
Due diligence é um processo estruturado e sistemático de avaliação aprofundada de riscos, conformidade e valor, conduzido para validar informações materiais e identificar exposições legais, regulatórias, financeiras, operacionais e reputacionais antes da tomada de uma decisão estratégica.
Sob a ótica de compliance, a due diligence vai além da verificação documental: ela busca assegurar que a organização, o ativo ou o terceiro analisado esteja em conformidade com leis, regulamentos, políticas internas e padrões éticos, bem como identificar passivos ocultos que possam impactar a continuidade do negócio, a governança corporativa e a integridade institucional.
Em essência, trata-se de um instrumento de gestão de risco e governança, fundamental para suportar decisões informadas, proteger valor, atender exigências regulatórias e demonstrar diligência e boa-fé perante stakeholders, reguladores e autoridades.
O que é due diligence de terceiros?
Due diligence de terceiros é um processo contínuo, estruturado e orientado por risco que avalia a conformidade e os riscos de fornecedores, clientes, parceiros de negócios e outros agentes externos. É um componente essencial da gestão de risco de terceiros e de um programa moderno de Governança, Riscos e Compliance (GRC).
Ele vai além da simples verificação documental ou de certidões momentâneas; é uma prática que busca combinar background check, análise de envolvimento em sanções, processos judiciais, passivos trabalhistas, riscos de ESG e outros indicadores reputacionais críticos.
Essa abordagem garante que decisões de contratação e de continuidade de relacionamento estejam baseadas em evidências atualizadas e mensuráveis.
Segundo a Gartner, o risco de terceiros mudou qualitativamente nos últimos anos: interrupções significativas no negócio devido a falhas de terceiros ocorreram em 45% das organizações nos últimos dois anos, mesmo com investimentos em TPRM, mostrando que processos tradicionais ainda não são suficientes.
Quais são os modelos de diligencia?
Os modelos ou metodologias de diligencia são frameworks reutilizáveis que seguem padrões de eficiência para realização de consulta. Contudo, estão sujeitas a adaptações, já que as normas e processos são atualizadas com recorrência.
É importante frisar que o modelo de diligência deve ser adaptado às necessidades do negócio e da situação. Afinal, por se tratar de um processo verificativo, possui diferentes termos de diligência ou foco em aspectos específicos.
Confira a lista de modelos e as particularidades de cada um:
Due Diligence jurídica
Avalia questões legais, contratos, documentos, licenças, registros, garantias, processos, litígios, penalidades, responsabilidades ocultas, imbróglios trabalhistas, tributários ou de propriedade intelectual etc.
Due diligence financeira
Avalia aspectos financeiros como demonstrações contábeis, histórico de negociações, fluxo de caixa, dívidas ativas, problemas fiscais e patrimônio.
Due diligence de clientes
Avalia o risco oriundo de clientes. É muito comum no setor financeiro, no qual a regulamentação é especialmente severa.
Due diligence social e ambiental
Avalia os potenciais riscos relacionados a ESG, como impactos ambientais, responsabilidade social, sustentabilidade, governança e conformidade às leis ambientais.
Due diligence reputacional
Avalia os riscos de danos à imagem de uma empresa ou marca para realizar associações com outras pessoas físicas ou jurídicas.
Due diligence de fornecedores
Avalia o potencial risco de parceiros comerciais e os danos que podem surgir a partir de uma negociação com os mesmos.
Due diligence de fusões e aquisições
Avalia previamente as possíveis ameaças decorrentes de uma potencial vinculação entre duas empresas.
Como a automação transforma a due diligence
A automação redefine a due diligence de terceiros ao trazer velocidade, precisão, padronização e escalabilidade ao processo.
Ela permite que as organizações realizem:
- Consultas em tempo real a bases públicas e privadas: A automação viabiliza checagens simultâneas em múltiplas fontes de dados, eliminando retrabalho manual e oferecendo insights atualizados para tomada de decisão.
- Background check automatizado em empresas e pessoas: Com tecnologia antifraude, é possível identificar correlações que não seriam percebidas em análises manuais, como histórico de acionistas, envolvimento com sanções ou conexões com outras entidades de risco.
- Atualização contínua da matriz de risco: Diferentemente de relatórios estáticos, os processos automatizados permitem recalibrar a matriz de risco conforme novos dados são publicados ou eventos públicos ocorrem.
- Identificação proativa de red flags e alertas de risco: Sistemas com regras parametrizadas podem disparar alertas automáticos quando ocorrem mudanças ou surgem indicadores críticos no perfil de um terceiro.
- Enriquecimento e saneamento de dados cadastrais: Dados desalinhados ou inconsistentes impactam a qualidade das análises.
Essas capacidades, quando alinhadas a um programa de TPRM integrado a GRC, oferecem não apenas eficiência operacional, mas evidências concretas.
Por que due diligence falha sem automação
Historicamente, o processo de due diligence era conduzido por meio de planilhas, consultas pontuais a bases públicas e revisões manuais, uma abordagem que, além de lenta, é ineficiente diante de ambientes regulatórios dinâmicos. Uma diligência manual de fornecedores pode levar entre 11 e 12 dias para ser concluída, período no qual dados cadastrais, jurídicos ou fiscais já podem estar defasados.
Hoje, esse modelo é claramente insuficiente. Além do tempo elevado:
- Processos manuais não escalam à medida que a complexidade do ecossistema de terceiros cresce.
- Há maior probabilidade de erros humanos e vieses de julgamento.
- A rastreabilidade e a auditabilidade ficam comprometidas, dificultando demonstrações de conformidade em fiscalizações e auditorias.
- Riscos emergentes (como ESG e cibersegurança) podem não ser captados no momento da diligência inicial.
A Deloitte destaca que, em muitos casos, os riscos mais significativos são identificados após a homologação, o que evidencia que a diligência não deve ser um evento pontual, mas sim um processo contínuo de avaliação e monitoramento de terceiros.
Leia também: Gestão centralizada de fornecedores: como estruturar com visibilidade e inteligência
A importância de otimizar o processo manual de diligência de fornecedores
Estudo da Protiviti mapeou que um processo de diligência de um fornecedor leva de 11 a 12 dias. O mesmo estudo aponta que 16,2% dos terceiros apresentam risco médio a alto de corrupção e 31% médio risco.
Se o processo de consultas durante uma diligência de fornecedores for manual, os dados sobre situação cadastral ao final do processo podem já estar defasados. Se considerado o ciclo de vida como um todo, desde a cotação até a expedição do pedido, os riscos só aumentam.
Estes fatores são, por muitas vezes, pouco percebidos no dia a dia das equipes e impactam diretamente os indicadores de gestão.
A pesquisa da KPMG mostra que, embora o compliance tenha se disseminado entre as empresas na última década devido à Operação Lava Jato e a Promulgação da Lei Federal 12.846, a Lei Anticorrupção, ainda há um longo caminho na estruturação de uma área capaz não só de garantir que a própria empresa esteja em conformidade com as leis, mas que esteja apta a checar os parceiros comerciais – realizar o background check.
A Lei Anticorrupção institui um dispositivo chamado de “responsabilidade solidária”, permitindo que um parceiro seja envolvido na investigação.
Conforme especifica o seu artigo 2º, “as pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não”.
Automação e Inteligência Artificial na due diligence
A adoção de automação e Inteligência Artificial na due diligence de terceiros se tornou um requisito para programas de compliance maduros.
O principal ganho não está apenas na velocidade, mas na capacidade de analisar grandes volumes de dados heterogêneos em tempo real, cruzando informações cadastrais, jurídicas, fiscais, reputacionais e ESG de forma contínua, algo impraticável em modelos manuais.
Soluções de IA permitem pontuação dinâmica de risco, detecção de padrões e anomalias, redução significativa de falsos positivos e atualização automática do perfil de risco dos terceiros ao longo de todo o ciclo de vida contratual.
Na prática, isso transforma o compliance de um modelo reativo, baseado em checagens pontuais, em uma abordagem proativa, preditiva e orientada por dados, aumentando a assertividade das decisões, reduzindo exposição regulatória e fortalecendo a governança corporativa em ambientes de alta complexidade.
Leia também: Como a Inteligência Artificial está redefinindo a Gestão de Fornecedores
Como estruturar um processo eficiente e automatizado de due diligence
A implementação de um processo de due diligence eficaz exige mais do que boas intenções ou verificações pontuais.
Para que a diligência de terceiros seja consistente, escalável e capaz de acompanhar a complexidade das relações comerciais, é fundamental que o tema esteja integrado à estratégia de compliance, à governança corporativa e, cada vez mais, à tecnologia.
Engajamento da alta direção e fortalecimento da cultura de compliance
A implementação de um processo eficaz de due diligence começa com o apoio explícito da alta direção. Como a diligência de terceiros influencia decisões estratégicas de contratação e continuidade de parcerias, é essencial que a liderança esteja comprometida em promover uma cultura de compliance, garantir autonomia às áreas responsáveis e disponibilizar os recursos necessários para a execução do processo.
Definição de políticas internas e critérios de diligência
Políticas internas bem estruturadas são a base de um programa consistente de due diligence. Elas devem estabelecer regras claras, critérios de avaliação de risco e níveis de diligência proporcionais à criticidade de cada terceiro.
Esses parâmetros costumam estar consolidados em políticas de compliance e códigos de ética e conduta, que orientam tanto colaboradores quanto parceiros comerciais.
Mapeamento e classificação de riscos de terceiros
Antes de iniciar a diligência, é fundamental compreender a quais riscos a organização está exposta. Isso envolve mapear riscos legais, regulatórios, fiscais, trabalhistas, ambientais e reputacionais, além de identificar e classificar os terceiros, incluindo fornecedores indiretos e relações de segunda ou terceira ordem, de acordo com seu potencial impacto no negócio.
Estruturação do processo e definição de papéis e responsabilidades
Um processo eficiente de due diligence depende de controles internos bem definidos e da atuação coordenada entre áreas como compliance, jurídico, compras e negócios.
É importante estabelecer com clareza quem é responsável por cada etapa do ciclo de vida do terceiro, desde a avaliação inicial até a tomada de decisão e o monitoramento contínuo.
Adoção de tecnologia e automação da due diligence
À medida que o volume e a complexidade das relações comerciais aumentam, processos manuais se tornam limitados. A adoção de plataformas especializadas de due diligence e Third Party Risk Management, integradas a sistemas de GRC, permite automatizar a coleta e a análise de dados, consultar registros públicos e listas restritivas, além de garantir rastreabilidade e padronização dos fluxos de aprovação.
Monitoramento contínuo e gestão dinâmica de riscos
A due diligence não deve ser tratada como uma verificação pontual. O monitoramento contínuo dos terceiros, com atualização constante do perfil de risco e emissão de alertas sobre eventos relevantes (como sanções, processos judiciais ou exposição negativa na mídia) é essencial para antecipar riscos e mitigar impactos ao longo do relacionamento comercial.
Treinamentos, capacitação e evolução contínua do programa
Para que o processo seja sustentável, é necessário investir em treinamentos e capacitações periódicas. Todos os colaboradores envolvidos devem compreender o papel da due diligence, os riscos associados e a importância do cumprimento das políticas internas.
A revisão contínua dos processos e o aprimoramento do programa garantem sua aderência às mudanças regulatórias e às melhores práticas de mercado.
Como utilizar tecnologia antifraude no processo de due diligence
Como a transformação digital está impactando todos os setores, é imprescindível que o compliance também cresça e evolua nesta curva de digitalização. Neste contexto, é importante escolher as ferramentas adequadas e que tenham fácil aderência aos processos de compliance.
No caso da diligência prévia, é preciso contar com soluções com tecnologia antifraude, capazes de identificar a situação como um todo dos parceiros comerciais.
A tecnologias antifraude, como a solução de Background Check da Netrin, consulta em tempo real dados públicos e privados e geram relatórios ou chamados dossiês de due diligence para realizar checagens de forma automática de:
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Consulta de situação cadastral na Receita Federal
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Checagem de pendências no Simples Nacional
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Acesso a informações da Polícia Federal
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Consulta de pendências no CADIN
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Emissão de certidões negativas de débitos federais
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Emissão de certidões de embargos (IBAMA)
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Score de Crédito
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Consulta de processos
Fortaleça processos de due diligence com a Netrin
Para sustentar um programa de due diligence de terceiros realmente eficaz, é fundamental contar com uma solução tecnológica que conecte dados, automação e monitoramento contínuo em um único ecossistema.
A Netrin atua como parceira estratégica nesse processo ao oferecer saneamento e enriquecimento de dados cadastrais, background check automatizado, além da automação de processos e fluxos de TPRM.
Na prática, a Netrin permite que o compliance deixe de ser operacional e reativo, tornando-se um pilar estratégico de governança, mitigação de riscos e tomada de decisão orientada por dados ao longo de todo o ciclo de vida dos terceiros.
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