Fornecedores, parceiros comerciais, prestadores de serviço, distribuidores e intermediários passaram a exercer um papel estratégico nas empresas e, consequentemente, também na exposição a riscos.
Nesse cenário, muitos dos principais riscos corporativos não estão presentes dentro da empresa, mas sim em seus relacionamentos externos. Multas, sanções regulatórias, fraudes, interrupções operacionais e crises reputacionais frequentemente têm origem em terceiros mal avaliados ou monitorados de forma inadequada.
É nesse contexto que a due diligence se consolida como um elemento central da gestão de riscos de terceiros, deixando de ser apenas uma exigência de compliance para se tornar um instrumento estratégico de proteção e tomada de decisão. Leia mais sobre o tema!
O que é due diligence?
Antes de falarmos sobre a importância, devemos abordar o conceito. Due diligence é o processo estruturado de investigação, análise e validação de informações sobre uma pessoa física ou jurídica durante um relacionamento comercial.
Ele pode envolver análises cadastrais, fiscais, jurídicas, financeiras, reputacionais e de compliance, variando em profundidade conforme o nível de risco do terceiro e o impacto potencial do relacionamento.
Na prática, trata-se de responder, com base em dados confiáveis, perguntas como:
- Quem é esse terceiro?
- Ele está regular do ponto de vista jurídico, fiscal e regulatório?
- Existe algum risco financeiro, reputacional ou de integridade?
- Esse relacionamento é compatível com os padrões de compliance da empresa?
Qual é a relação entre due diligence e TPRM?
Na prática, a due diligence sustenta toda a efetividade do Third-Party Risk Management, pois é por meio dela que a empresa passa a compreender, de forma estruturada e baseada em evidências, quem são seus parceiros de negócio, como operam e quais riscos trazem para o ecossistema corporativo.
O TPRM estabelece a estratégia, a governança, os critérios de avaliação e os mecanismos de monitoramento contínuo. Já a due diligence é responsável por entregar informações qualificadas, dados verificáveis e inteligência de risco que alimentam esse processo.
Sem uma due diligence bem desenhada e proporcional ao risco, a gestão de terceiros tende a se tornar superficial, imprecisa e vulnerável a falhas operacionais e regulatórias.
Essa relação ganha ainda mais relevância quando analisado à luz da Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). Ela estabelece a responsabilização objetiva das empresas por atos lesivos praticados por terceiros, como fornecedores, distribuidores, representantes e parceiros comerciais, sempre que tais condutas ocorram em seu interesse ou benefício.
Isso significa que a empresa pode ser responsabilizada mesmo sem ter autorizado, participado ou sequer tido conhecimento prévio do ilícito.
Diante desse cenário, o conhecimento aprofundado das relações comerciais deixa de ser apenas uma recomendação de boa governança e passa a ser um elemento essencial de proteção jurídica e reputacional.
O próprio decreto regulamentador da Lei Anticorrupção reconhece a due diligence de terceiros como um dos pilares de um programa de integridade efetivo, reforçando que avaliar, classificar e monitorar parceiros de negócio é indispensável para a mitigação de riscos de corrupção e outras irregularidades.
Principais tipos de due diligence aplicados ao TPRM
Dentro da gestão de riscos de terceiros, a due diligence pode ter diferentes formatos e focos de análise, como:
- Cadastral e fiscal: verificação de regularidade e situação tributária
- Jurídica: análise de processos e passivos
- Reputacional: notícias negativas, listas restritivas e sanções
- Financeira: saúde financeira e capacidade de cumprimento contratual
- Compliance e PLD-FT: integridade, PEPs e riscos de lavagem de dinheiro
- ESG: práticas ambientais, sociais e de governança
Qual é a importância estratégica da due diligence de terceiros na gestão de risco?
Seu principal valor está na capacidade de antecipar riscos antes que eles se materializem, permitindo que a empresa atue de forma preventiva, estruturada e proporcional ao risco, em vez de responder a incidentes já consolidados.
Ao identificar vulnerabilidades previamente, a organização ganha tempo, poder de decisão e alternativas, seja para mitigar riscos, renegociar condições, implementar controles adicionais ou, se necessário, interromper o relacionamento.
Veja alguns benefícios desse processo na gestão de riscos:
Prevenção de riscos legais, financeiros e reputacionais
Empresas frequentemente se expõem a riscos ao contratar parceiros que apresentam pendências fiscais ou judiciais, histórico de fraudes, envolvimento em práticas ilícitas ou condutas incompatíveis com padrões éticos e regulatórios.
A due diligence atua como uma linha de defesa preventiva, capaz de identificar esses fatores de risco antes da formalização ou continuidade do vínculo contratual.
Ao antecipar esses sinais de alerta, a empresa reduz a probabilidade de envolvimento indireto em ilícitos, multas, litígios, rescisões contratuais emergenciais e crises de imagem, protegendo não apenas seus resultados financeiros, mas também sua credibilidade perante o mercado.
Fortalecimento do compliance e da governança corporativa
Reguladores, auditores, investidores e outros stakeholders esperam que as empresas conheçam profundamente seus terceiros e adotem controles compatíveis com o nível de risco envolvido em cada relação comercial.
Nesse contexto, a due diligence deixa de ser uma escolha e passa a ser um elemento estruturante da governança corporativa.
Por meio da due diligence, a empresa demonstra diligência, boa-fé e comprometimento com a integridade dos negócios. Ela sustenta programas de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, KYC/KYS e iniciativas ESG, além de fortalecer a capacidade da organização de comprovar que adotou medidas razoáveis para prevenir irregularidades.
Do ponto de vista estratégico, isso reduz a exposição a responsabilizações legais e eleva o nível de maturidade e credibilidade da governança.
Classificação de risco
Nem todos os terceiros representam o mesmo grau de risco, e tratá-los de forma homogênea tende a gerar ineficiências, custos excessivos e burocracia desnecessária.
A due diligence baseada em risco permite classificar parceiros, fornecedores e intermediários em diferentes níveis de criticidade, como baixo, médio ou alto risco.
Essa classificação viabiliza a aplicação de controles proporcionais, direcionando esforços mais robustos para terceiros mais críticos e simplificando processos para aqueles de menor exposição.
Como resultado, a empresa utiliza melhor seu tempo, orçamento e capacidade operacional, reduz gargalos internos e melhora a experiência dos terceiros de baixo risco. Isso torna o TPRM mais eficiente, escalável e sustentável no longo prazo.
Continuidade operacional e resiliência do negócio
Terceiros críticos exercem impacto direto sobre a continuidade das operações, a qualidade dos produtos e serviços e a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos com clientes e parceiros.
Uma due diligence bem estruturada permite identificar, com antecedência, fragilidades financeiras, dependência excessiva de fornecedores específicos, riscos de interrupção de serviços ou vulnerabilidades operacionais.
Com essas informações, a organização consegue adotar medidas preventivas, o que fortalece a resiliência operacional, reduz a chance de paralisações inesperadas e aumenta a capacidade de responder a cenários adversos.
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A maturidade do TPRM exige dados confiáveis, atualizados e continuamente monitorados, capazes de refletir a dinâmica real dos riscos ao longo de todo o ciclo de relacionamento com terceiros.
Nesse contexto, a tecnologia torna-se indispensável para transformar a due diligence em um processo escalável, inteligente e alinhado às exigências regulatórias.
Com soluções completas e automatizadas de due diligence e gestão de riscos de terceiros, a Netrin permite que empresas realizem análises profundas e proporcionais ao risco, além de monitorar continuamente alterações cadastrais, fiscais, jurídicas e reputacionais.
Mais do que atender às exigências de compliance, a abordagem da Netrin transforma a due diligence em inteligência estratégica para o negócio, apoiando decisões mais seguras, fortalecendo a governança e protegendo a empresa em toda a sua cadeia de relacionamentos.
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