A atuação fiscal e regulatória no Brasil está atravessando uma verdadeira revolução. A Receita Federal e as Secretarias de Fazenda não apenas ampliaram a coleta e o cruzamento de dados empresariais, como também se apoiaram em tecnologia, analytics e automação para identificar potenciais sinais de irregularidades, sonegação e inconsistências fiscais com maior precisão e velocidade.
Nesse cenário, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de execução para se tornar um componente estratégico do compliance fiscal e tributário.
O interessante é que essa mesma lógica tecnológica sustentada pelo fisco pode, e deve, ser aplicada internamente pelas organizações para fortalecer seus programas de compliance empresarial.
O compliance, assim, deixa de ser uma obrigação reativa e torna-se um ativo competitivo que protege a reputação, otimiza processos e potencializa decisões baseadas em dados.
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Por que a tecnologia em compliance é tão importante?
De acordo com pesquisas recentes conduzidas por consultorias globais, a adoção de tecnologia em compliance não é apenas uma tendência, mas uma realidade consolidada nas empresas mais maduras.
A PwC Global Compliance Survey 2025 aponta que 82% das organizações planejam ampliar seus investimentos em tecnologia para compliance e que soluções de automação já estão sendo aplicadas em uma ampla gama de atividades, desde monitoramento de transações até due diligence e avaliação de risco de terceiros.
Outro estudo brasileiro identificou que 71% das empresas utilizam ferramentas automatizadas para gerenciar seus programas de compliance, com automação de controles sendo o principal benefício apontado pelos profissionais envolvidos.
Esses números revelam que, para profissionais de compliance, a tecnologia não é mais um complemento, mas sim um componente essencial para:
- Criar uma matriz de risco e compliance robusta, que incorpora variáveis fiscais, financeiras, trabalhistas e reputacionais.
- Executar due diligence de terceiros e fornecedores com mais precisão, reduzindo dependências manuais e subjetivas.
- Implementar background check automatizado, que inclui KYC, validação de identidade e avaliação contínua de parceiros comerciais.
- Integrar processos de compliance e governança, promovendo transparência e auditabilidade em todas as etapas.
A tecnologia permite, com muito mais eficiência, identificar red flags, sinais de alerta antecipados e padrões atípicos que, de outra forma, passariam despercebidos em análises tradicionais.
O lado do Fisco: o que a tecnologia já faz hoje
A Receita Federal, as Secretarias de Fazenda e outros órgãos de fiscalização utilizam sistemas integrados que:
- Consolidam enormes volumes de dados públicos e privados, desde NF-e até informações de receita, obrigações acessórias e históricos de transações.
- Aplicam regras de negócio, machine learning e analytics para detectar padrões anômalos e potenciais desvios em comportamentos fiscais ou contábeis.
- Permitem a geração de alertas automáticos, acionando um processo de fiscalização mais intenso quando determinados indicadores ultrapassam limites predefinidos.
Esse tipo de monitoramento automatizado está alinhado ao que grandes consultorias classificam como RegTech, o uso de tecnologia aplicada à compliance e regulação para tornar a gestão de riscos mais eficiente, escalável e rigorosa.
Diferentemente das iniciativas do poder público, que têm foco fiscalizatório, as soluções RegTech permitem que as empresas internalizem essa inteligência, estruturando processos contínuos de prevenção, controle e tomada de decisão.
Na prática, embora o fisco utilize grandes volumes de dados para identificar inconsistências e potenciais irregularidades, soluções especializadas de mercado ampliam significativamente esse alcance. Isso porque integram múltiplas fontes, aplicam regras de negócio específicas, geram alertas acionáveis e conectam o monitoramento aos fluxos internos de compliance.
Dessa forma, os mecanismos públicos e as RegTechs se complementam, tornando o compliance mais efetivo, proativo e operacionalmente viável.
O lado empresarial: compliance como vantagem competitiva
Do ponto de vista corporativo, a digitalização do compliance transforma processos reativos em fluxos pró-ativos de mitigação de riscos. A tecnologia oferece a capacidade de monitorar fornecedores e parceiros em tempo real, integrando múltiplas fontes de dados públicas e privadas.
Além disso, possibilita a implementação de TPRM e de due diligence contínua, com atualização automática de indicadores críticos, reduz retrabalhos, melhora a qualidade dos dados por meio de processos de enriquecimento, saneamento e higienização de dados cadastrais e integra-se a sistemas de gestão (ERP).
De fato, gestores que reforçam seus programas com tecnologia relatam ganhos consistentes, incluindo maior visibilidade de riscos, respostas mais rápidas a desvios e melhor eficiência operacional com até 64% das empresas destacando maior visibilidade de risco e 46% reportando ganhos de produtividade após digitalizar atividades de compliance.
Além disso, integrar práticas como background check, análise de histórico de compliance de terceiros e rastreamento de indicadores socioambientais e de reputação corporativa torna os processos de compliance mais estratégicos e menos dependentes de revisões pontuais e trabalhosas.
Leia também: Emissão de NF-e: como reduzir riscos e garantir compliance fiscal
Grandes consultorias especializadas em tax technology e compliance analytics, como Deloitte e PwC, destacam que a tecnologia é um elemento diferenciador na gestão da função fiscal e regulatória.
Elas já aconselham organizações a usarem ferramentas que integram dados fiscais, KPIs de saúde tributária, visualização de informações e mapeamento de riscos para uma gestão mais eficaz e preventiva.
Esses modelos consultivos reforçam que o uso de tecnologia não é apenas um suporte operacional, mas um pilar da governança corporativa e compliance, com impactos diretos em reputação, confiança de investidores e resiliência regulatória.
Da RFB ao seu ERP: como operacionalizar essa estratégia
A tecnologia precisa ser implementada com foco em:
- Integração de dados estruturados e não estruturados, combinando fontes internas e externas.
- Construção de regras de negócios que alimentem um modelo de risco contínuo e parametrizável.
- Adoção de soluções que realizem consulta automatizada de dados, alertas inteligentes e engajamento em tempo real.
Nesse sentido, ferramentas que suportam TPRM lifecycle, due diligence checking, background check, monitoramento de transações financeiras e conformidade regulatória contínua são partes integrantes da jornada de maturidade de uma área de compliance estratégica.
Como a Netrin pode apoiar sua estratégia de compliance e governança
Diante de um ambiente regulatório cada vez mais complexo, de pressões fiscais mais intensas e da necessidade de responder rapidamente a riscos emergentes, a Netrin oferece soluções tecnológicas que transformam a forma como empresas gerenciam compliance, riscos e dados de terceiros.
Com foco em práticas como automação de background check, KYC e KYE completos, TPRM integrado, enriquecimento e saneamento de dados cadastrais e monitoramento contínuo de parceiros, a plataforma da Netrin conecta mais de 1.000 fontes de dados públicas e privadas de forma automatizada.
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