Em um ambiente empresarial cada vez mais dinâmico e regulado, empresas de médio porte enfrentam o desafio de não apenas atender às exigências normativas, mas de transformar a gestão de riscos em vantagem competitiva.
Nesse contexto, a gestão de riscos de terceiros (TPRM – Third Party Risk Management) deixa de ser um tema periférico e passa a ocupar posição central na governança. Fornecedores, prestadores de serviço e parceiros impactam diretamente a continuidade operacional, a conformidade regulatória, a segurança da informação e a reputação da empresa.
Hoje, um programa de TPRM bem estruturado é capaz de mapear, monitorar e tratar riscos operacionais, jurídicos, regulatórios, reputacionais, ESG e de segurança associados a terceiros críticos. Isso permite decisões mais rápidas, baseadas em dados e alinhadas à governança corporativa.
Um estudo da McKinsey & Company mostra que, globalmente, embora a maioria das empresas considere sua governança de risco e conformidade um “trabalho em progresso”, aquelas que evoluem de forma estruturada ganham agilidade operacional e geram valor sustentável.
Para empresas de médio porte, que normalmente operam com recursos mais limitados e estruturas mais enxutas, operacionalizar o TPRM exige clareza, priorização e pragmatismo.
Este artigo mostra como transformar a gestão de riscos de terceiros de uma obrigação regulatória em um processo ativo de proteção, eficiência e diferenciação competitiva.
Leia também: Como evoluir da planilha para um modelo de TPRM automatizado
O que é o TPRM e por que ele importa para empresas de médio porte
O TPRM (Third Party Risk Management) é o conjunto de processos que formaliza a identificação, avaliação, controle e monitoramento contínuo dos riscos associados a terceiros, ao longo de todo o ciclo de vida do relacionamento, do onboarding ao offboarding.
Em empresas de médio porte, o TPRM representa:
Um escudo de governança, ao demonstrar compromisso com compliance regulatório, integridade operacional e responsabilidade corporativa;
Um fator de competitividade, ao reduzir exposição a multas, passivos trabalhistas, interrupções operacionais e danos reputacionais;
Um vetor de cultura de risco, ao tornar visível o impacto que fornecedores e parceiros exercem sobre o negócio.
Embora muitas organizações ainda tratem a gestão de terceiros como um processo pontual, focado apenas no cadastro ou na contratação, o modelo mais maduro é aquele em que o TPRM se torna um sistema vivo, integrado à tomada de decisão e aos indicadores de desempenho.
Os quatro pilares para operacionalizar o TPRM de forma eficaz
Para que o TPRM deixe de ser apenas um checklist e se torne uma ferramenta real de governança, é necessário estruturar um ciclo contínuo baseado em quatro pilares.
1. Diagnóstico e mapeamento de riscos de terceiros
O primeiro passo é compreender quem são os terceiros, onde eles atuam e quais riscos trazem para a operação. Isso envolve mapear riscos legais, trabalhistas, ambientais, reputacionais, de compliance, ESG e de segurança da informação.
Empresas de médio porte devem evitar modelos genéricos e construir inventários de risco compatíveis com sua realidade, considerando criticidade do fornecedor, tipo de serviço e nível de exposição.
Um diagnóstico bem feito é o alicerce do TPRM: ele garante que decisões sejam tomadas com base em dados objetivos e não apenas em percepção.
2. Planejamento e priorização das ações
Com os riscos mapeados, o próximo passo é estruturar um plano de ação claro: o que será feito, em qual prazo, por quem e com quais critérios de priorização.
A lógica clássica de probabilidade × impacto, aplicada à gestão de terceiros, permite concentrar esforços nos fornecedores críticos e nos riscos com maior potencial de dano.
Consultorias como a McKinsey reforçam que governança eficaz depende de clareza de papéis e responsabilização. Para empresas médias, isso significa criar rotinas simples, comitês enxutos e acompanhamento pragmático, combinando quick wins com iniciativas estruturantes de longo prazo.
3. Implementação e cultura de risco com terceiros
O maior desafio do TPRM não está no planejamento, mas na execução. A implementação precisa envolver áreas como compras, jurídico, compliance, operações, TI e financeiro.
Mais do que cumprir exigências contratuais, o objetivo é incorporar a gestão de riscos de terceiros à cultura organizacional, tornando visível o impacto de cada fornecedor no desempenho do negócio.
Em empresas de médio porte, isso pode incluir:
Automação de cadastros e validações documentais,
Monitoramento contínuo de fornecedores críticos,
Treinamentos para gestores de contrato,
Integração de dados entre áreas.
Quando os riscos são mensuráveis, compartilhados e acompanhados, o TPRM deixa de ser reativo e passa a orientar decisões.
4. Monitoramento contínuo, melhoria e comunicação
Um programa de TPRM eficaz não termina na contratação do fornecedor. Ele exige monitoramento contínuo, revisão periódica de riscos e avaliação da eficácia dos controles.
Para empresas de médio porte, o ideal é adotar ciclos práticos de acompanhamento, com indicadores claros, revisões trimestrais, auditorias proporcionais ao risco e comunicação transparente com stakeholders.
Além do controle, a comunicação dos resultados fortalece a cultura de risco e demonstra maturidade de governança. Empresas que tratam o TPRM como instrumento estratégico tornam-se mais resilientes, previsíveis e confiáveis.
Leia também: TPRM na prática: como as empresas estão estruturando programas de gestão de risco de terceiros para 2026
Desafios comuns na operacionalização do TPRM e como superá-los
Empresas de médio porte costumam enfrentar desafios específicos na gestão de riscos de terceiros, como:
Resistência cultural, quando o processo é visto como burocrático. Solução: traduzir riscos em impactos reais sobre faturamento, produtividade e reputação.
Dados fragmentados, com bases desatualizadas de fornecedores. Solução: saneamento e enriquecimento de dados.
Baixa integração entre áreas, quando o risco fica “restrito ao compliance”. Solução: governança transversal.
Monitoramento irregular, que enfraquece o programa ao longo do tempo. Solução: tecnologia, automação e indicadores.
A superação passa pelo pragmatismo: começar pequeno, estruturar um piloto, digitalizar processos e escalar gradualmente.
O papel dos dados na evolução do TPRM
A maturidade do TPRM está diretamente ligada à qualidade e integração dos dados. Sem bases confiáveis, o programa se torna lento, reativo e frágil.
Quando dados são saneados, enriquecidos e conectados, o TPRM evolui para um modelo de inteligência de riscos, permitindo monitoramento contínuo, rastreabilidade de decisões, correlação entre eventos e visão sistêmica da exposição a terceiros.
A integração entre compliance, operações e tecnologia torna a gestão de terceiros mais preditiva e alinhada à governança.
Da conformidade à inteligência de risco
Levar o TPRM do papel à prática é totalmente viável, especialmente quando ele é encarado como ferramenta de gestão corporativa, e não apenas como exigência regulatória.
Com diagnóstico preciso, priorização correta, implementação engajada e monitoramento contínuo, empresas de médio porte conseguem transformar o TPRM em um instrumento real de performance, resiliência e confiança.
É nesse ponto que a Netrin atua como parceira estratégica: conectando dados, tecnologia e compliance para oferecer uma visão integrada da regularidade fiscal, jurídica e reputacional de terceiros.
Com soluções que automatizam o saneamento de bases, o monitoramento contínuo e o cruzamento de fontes públicas e privadas, a Netrin transforma o TPRM em um sistema operacional de inteligência de riscos vivo, integrado e escalável.
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