A maioria das empresas afirma gerenciar riscos, mas poucas, de fato, conseguem dizer que possuem uma cultura de TPRM.
Na prática, o que ainda se vê no mercado são processos fragmentados, checagens pontuais no onboarding e um entendimento limitado de que Third Party Risk Management se resume a cumprir exigências regulatórias ou “passar no compliance”.
O problema é que, em um cenário de cadeias de suprimentos cada vez mais complexas, terceirização intensa e maior rigor regulatório, os riscos de terceiros se tornaram diretos ao negócio.
Estabelecer uma cultura de TPRM, portanto, significa ir além do processo e transformar a forma como a empresa se relaciona com terceiros, toma decisões e protege sua operação ao longo de toda a jornada.
O que significa ter uma cultura de TPRM na empresa?
Ter uma cultura de TPRM significa que a gestão de riscos de terceiros está incorporada à mentalidade organizacional, indo além de apenas processos ou rituais.
Na prática, empresas com cultura de TPRM apresentam algumas características claras:
- Decisões de negócio consideram riscos de terceiros como parte do processo
- As áreas entendem seu papel na mitigação desses riscos
- O risco é avaliado de forma proporcional, baseada em dados e critérios claros
- O monitoramento é contínuo, e não pontual
- O TPRM é visto como proteção e eficiência, não como entrave
Mais do que um checklist ou reunião, a cultura de TPRM se manifesta no dia a dia, na forma como fornecedores são homologados, parceiros são mantidos, pagamentos são liberados e relações são interrompidas quando necessário.
Por que a maioria das empresas falha ao tentar criar uma cultura de TPRM
Antes de falar sobre como construir essa cultura, é importante entender por que ela não se sustenta na maioria das organizações.
Um dos principais erros é tratar o TPRM como um evento isolado, geralmente concentrado no momento de onboarding do terceiro.
A equipe faz uma análise inicial, coleta a documentação, roda uma checagem básica e o tema se encerra ali. A realidade, porém, é que o risco muda ao longo do tempo, e um parceiro regular hoje pode se tornar irregular amanhã.
Outro problema recorrente é o isolamento do TPRM no compliance ou no jurídico. Quando a responsabilidade fica restrita a uma única área, as demais passam a enxergar o processo como burocracia, e não como um mecanismo de proteção do negócio.
Também é comum encontrar empresas que:
- Usam critérios subjetivos ou pouco claros de avaliação de risco
- Dependem excessivamente de planilhas e processos manuais
- Não possuem monitoramento contínuo de terceiros
- Não contam com apoio efetivo da liderança
O resultado é um TPRM que existe no papel, mas não se traduz em decisões melhores nem em redução real de riscos.
Como estabelecer uma cultura de TPRM sólida?
Construir essa cultura para apoiar o crescimento da empresa exige a combinação de alguns pilares fundamentais. Confira:
Apoio da liderança e direcionamento estratégico
Nenhuma cultura se sustenta sem apoio da alta liderança. Quando diretores e executivos tratam o TPRM como prioridade estratégica, a mensagem se espalha pela organização.
A liderança precisa deixar claro que:
- Riscos de terceiros são riscos do negócio
- Crescimento não pode ocorrer à custa de exposição desnecessária
- Integridade, conformidade e sustentabilidade são valores inegociáveis
Sem esse direcionamento, o TPRM tende a ser visto apenas como uma exigência operacional.
Governança clara e responsabilidades bem definidas
Uma cultura de TPRM madura não concentra tudo em uma única área. Pelo contrário: ela distribui responsabilidades.
Enquanto o compliance define diretrizes, critérios e políticas, áreas como compras, financeiro, fiscal, RH e negócios aplicam esses critérios no dia a dia.
Cada área entende quando um terceiro pode ser aprovado, quando é necessário aprofundar a análise e quando o risco é inaceitável.
Essa clareza evita conflitos, retrabalho e decisões incoerentes.
Avaliação de risco proporcional e baseada em critérios
Nem todo terceiro representa o mesmo nível de risco, e tratá-los da mesma forma é um erro comum.
Para tornar o processo mais justo, eficiente e escalável, além de aumentar a aceitação interna, uma cultura de TPRM traz:
- Classificação de terceiros por nível de risco
- Critérios objetivos para essa classificação
- Diligência proporcional ao risco envolvido
Monitoramento contínuo de terceiros
Um dos pontos que mais diferenciam empresas maduras é a adoção do monitoramento contínuo.
Mudanças societárias, fiscais, jurídicas ou reputacionais podem ocorrer a qualquer momento. A cultura de TPRM reconhece que o risco é dinâmico e exige acompanhamento constante, especialmente em relações críticas ou de longo prazo.
Contar com plataformas com a Netrin facilita esse processo, automatizando o monitoramento com mais de 1.000 bases públicas e privadas de dados.
Uso de tecnologia e automação
Cultura não se sustenta com processos excessivamente manuais. E, embora a tecnologia não crie cultura sozinha, ela é essencial para sustentá-la.
Sem dados confiáveis, automação e integração com sistemas de negócio, o TPRM tende a se tornar lento e caro. Já com a tecnologia, ele se transforma em um aliado da operação, capaz de proteger a empresa sem gerar fricção desnecessária.
Mais do que acelerar processos, a automação viabiliza o TPRM em escala, sem perder qualidade, permitindo:
- Automatizar checagens de regularidade
- Centralizar informações confiáveis
- Criar scores de risco consistentes
- Reduzir subjetividade e retrabalho
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Comunicação e educação interna constantes
As pessoas só aderem ao que entendem. Empresas que constroem cultura de TPRM investem em:
- Treinamentos recorrentes
- Comunicação clara sobre critérios e decisões
- Exemplos práticos de riscos e impactos reais
- Alinhamento contínuo entre áreas
Com o tempo, o TPRM deixa de ser imposto e passa a ser incorporado naturalmente.
Como medir a maturidade da cultura de TPRM na empresa
Uma forma prática de avaliar o estágio de maturidade é observar como o TPRM se manifesta no dia a dia:
- Empresas em estágio inicial costumam atuar de forma reativa, com checagens pontuais e pouco uso de dados.
- Em níveis intermediários, já existem políticas, critérios e alguma automação, mas o monitoramento ainda é limitado.
- Já empresas maduras integram o TPRM à estratégia, monitoram continuamente seus terceiros e tomam decisões orientadas a risco.
Entender esse estágio é fundamental para evoluir de forma consistente, aplicando as ações listadas anteriormente de maneira ajustada à realidade.
Empresas com cultura de TPRM estão um passo à frente
Estabelecer uma cultura de TPRM é uma jornada contínua sobre alinhar pessoas, processos e tecnologia para que a gestão de riscos de terceiros faça parte da tomada de decisão diária da empresa.
Organizações que evoluem nesse sentido entendem que o risco não está apenas dentro de casa e se estende a fornecedores, parceiros, clientes e intermediários, e precisa ser gerenciado de forma estruturada, proporcional e contínua.
Quando o TPRM passa a ser cultura, a empresa ganha previsibilidade, protege sua reputação e cria bases mais sólidas para crescer de forma sustentável.
É exatamente com essa visão que a Netrin atua: ajudando empresas a transformar a gestão de riscos de terceiros em um processo confiável, automatizado e integrado ao negócio.
Com tecnologia especializada, inteligência de dados e monitoramento contínuo, a Netrin pode apoiar sua empresa na construção de um TPRM que vai além da conformidade e gera valor real.
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